sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Sobrevivendo à semana de adaptação

Aí eu escolhi a escola. Aí eu dei um monte de cheques pra pagar uniforme, matrícula, taxa de lanche, taxa de material, taxa de lixo, taxa de luz, taxa de água. Impressionante! O que dá, eles te cobram. Enfim... Aí chegou o dia da ADAPTAÇÃO. Adaptação do filho à escola. Mas eu diria também "adaptação da mãe à escola". 

Depois de alguns meses full time com o pequeno, a par de tudo o que acontece na vida dele, você terá que deixá-lo nas mãos de desconhecidos, sem saber o que ele está fazendo, pensando, sentindo. E, preciso te dizer, a sua cabeça irá te atormentar com uma lista de dúvidas e inseguranças (desde as mais coerentes, até as mais esdrúxulas):
- Ele vai ser bem cuidado?
- Será que vão ver se ele está comendo direito?
- E se outra criança morder ele?
- Será que a professora tem paciência com criança? Ou vai tascar-lhe um beliscão quando fizer birra?
- Será que ele vai se sentir abandonado?

Para amenizar o sofrimento (ou não), existe a tal semana de adaptação. Você fica com o seu filho na escola, observa a rotina das crianças, participa do momento no qual os vínculos com o novo ambiente estão sendo construídos. 

Comigo foi assim:
Nos três primeiros dias de aula, fiquei o tempo todo com o Felipe, porém, no papel de coadjuvante. Conheci os funcionários, acompanhei a troca de fralda, vi o cuidado que eles têm com a segurança dos alunos e dei um jeito em boa parte dos meus fantasmas em relação à escola.

No colo, o Felipe observava curioso aquele monte de novidade. A professora tentava, muito discretamente, ganhar sua confiança. Aos poucos, ele se desgrudou dos meus braços para ver o que tinha no tanque de areia. Caminhou um pouco mais longe para pegar um brinquedo qualquer (sempre se certificando de que eu permanecia ali). Brincou na quadra, tomou lanche na classe e parecia estar indo bem. 

No quarto dia, me disseram para ficar na escola, mas fora do seu campo de visão. Se ele reclamasse demais, a professora o levaria até mim, mostrando que eu continuava por perto. Não precisou. Aí, no quinto dia, apareceu um compromisso perto da escola e achei que não haveria problemas em deixá-lo lá. Conversei com a coordenadora e pedi que ela me ligasse se necessário. Saí confiante, crente que o pequeno estava pronto para desbravar os muros da Garatuja.

Não estava! Me ligaram, eu voltei correndo. Cheguei na sala de aula e o Felipinho chorava de soluçar. Me senti um lixo e percebi que tinha pulado etapas no processo de adaptação dele. Resultado: mais três dias dentro da escola, acompanhando sua rotina. 

A partir daí, o Felipe tirou de letra. Acostumou-se ao novo espaço, construiu vínculos com a professora e com os outros funcionários, começou a sorrir ao chegar no portão branco da Garatuja. 

E eu? Bem... Também me adaptei ao início da vida escolar do Felipe. Mas tenho que admitir: a melhor hora do dia é a hora da saída, quando ele pula no meu colo, me dá um abraço apertado, um beijo grudento e fala "sadadi mamãe". 


segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Projeto doutorado

O Felipe fez um ano e eu tomei a decisão: hora de colocar na escola. Para interagir com outras crianças, receber novos estímulos, sair um pouco de casa. Aí comecei a peregrinação pelas escolas do bairro. Sim, porque o fator distância tem que ser levado em conta. E nessas andanças vi de tudo: aquela casinha que foi adaptada para receber crianças; lugares sujos; espaços bacanas; preços astronômicos; propostas duvidosas etc.

Eu, particularmente, procurava uma escola considerando os seguintes aspectos (não exatamente nessa ordem de prioridade):

- proximidade de casa: cômodo para os pais e, principalmente, para a criança.

- espaço: a minha ideia era tirar o Felipe de dentro do apartamento, porque ele precisava de espaço. Um espaço legal onde ele pudesse explorar o mundo. E um lugar que, caso chovesse, ele não precisasse ficar infurnado na sala de aula.

- segurança: proteção nas janelas, escadas, tomadas etc.

- higiene: jamais deixaria meu filho em um lugar sujo, feio e pouco acolhedor.

- proposta pedagógica: o que a escola tem a oferecer no que diz respeito ao desenvolvimento dos pequenos.

- professores: babá eu tenho em casa. Queria gente formada em Pedagogia ou Psicologia, que conhecesse a fundo o universo infantil e tivesse total consciência da importância do seu trabalho.

- preço: claro que uma escola séria, com professores experientes e graduados, não será uma escola barata. Mas vi muita coisa por aí que extrapola. Quatro horas de "estudo" a mais de R$ 2000,00. Como assim? Meu bebê vai sair falando alemão, latim e já sabendo o que é logarítimo? Nem barata, nem cara. Queria uma escola com preço honesto!

- número de alunos por sala de aula: as crianças pequenas precisam de muitos cuidados e atenção, então, é importante ver quantos alunos ficam sob responsabilidade de um professor. E, de preferência, de uma auxiliar também.

Fiquei em dúvida entre duas escolas e acabei escolhendo a mais longe de casa (oito minutos de carro), pela qualidade da equipe de professores - todos formados e com mais de dois anos de experiência; e pelo espaço - quadra, parquinho de terra, parquinho de areia coberto, sala de artes, sala de teatro, biblioteca... No final das contas, tenho certeza de que acertamos o lugar. Porque toda vez que o Felipe chega na porta da escola, abre um sorriso de satisfação. E quando perguntam seu nome, ele responde: Fiipinho da Garatuja.